terça-feira, 13 de janeiro de 2015

ESCASSEZ DE PESCADO CONTRIBUI PARA A ALTA DOS PREÇOS EM SÃO LUÍS

BAIXA NA OFERTA MEXE O HABITO ALIMENTAR DE 79% DOS MARANHENSES. QUILO DA PESCADA CUSTA EM MÉDIA R$ 30, 76% A MAIS EM RELAÇÃO A 2014



Os estoques ficaram vazios e o preço do pescado disparou no mercado. A escassez de pescado e a alta dos preços coincidem com o tempo de baixa atividade no mar. O quilo da pescada amarela, vendido por R$ 17 em agosto de 2014, hoje custa em média R$ 30, uma variação de 76% em apenas seis meses.

A falta de estrutura e tecnologia da maioria dos pescadores maranhenses impede que eles consigam navegar até a costa, uma das zonas pesqueiras mais ricas do país e por onde os cardumes migram em uma espécie de corredor, que se estende da foz do rio Amazonas e vai até a foz do rio Parnaíba.
 
                    

E quando a solução não vem da costa maranhense vem de outros estados. “80 ou 90% do consumo de peixe em São Luís vem de fora. Vem de Santa Cataria congelado ou fresco quando vem do Pará”, explicou o empresário Edson Silva.

Com isso, os negócios nas peixarias congelaram. É o que avalia o comerciante Manoel Lisboa que já chegou a vender várias toneladas de peixe e hoje enfrenta algumas dificuldades. “Já cheguei a vender em faixa de quatro mil quilos e hoje não chega a uma tonelada não”, lamentou.

A baixa na oferta do peixe no mercado mexe com o habito alimentar de 79% dos maranhenses, que consomem pescado pelo menos uma vez por semana. Sem contar que o peixe que chega a mesa do consumidor está cada vez menor.

Em 1985, o peso médio do peixe pedra, capturado na costa maranhense, era de 1,5 Kg. Dez anos depois, em 1995, o peixe diminuiu para 1,100Kg. Em 2005, o peso deste peixe chegou a 750g. “Tem que ter controle para pescaria para ter o tempo de o pessoal pescar para trazer o peixe, a deixar produzir um pouco que ela volta ao que era”, disse o pescador Benedito Rolim.

Período de defeso

Pelo menos 210 mil pescadores maranhenses estão de braços cruzados e recebem seguro defeso do Governo Federal para não pescar na temporada de reprodução dos peixes. No porto da raposa, por exemplo, tem uma frota de barcos parado há mais de 20 dias. São pescadores que vieram passar o natal com a família e ainda não voltaram. Outros aproveitam para fazerem a manutenção das embarcações antes de retomarem a pescaria para a semana santa.